Catarata

Catarata

Dr. Gustavo Caiado
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O que é a Catarata?

Catarata é uma doença ocular caracterizada pela opacificação do cristalino (que é a lente natural do olho). O cristalino é como se fosse uma lente de óculos de grau, só que com mais de 20 graus (+20D) e é responsável por focalizar a luz (e as imagens) sobre a retina para que a possamos ver as imagens nítidas.

A visão depende dessa luz atravessar diversas estruturas do olho, entre elas o cristalino, para chegar até a retina. Quando o cristalino se torna opaco, a luz não chega até a retina de maneira adequada, o que prejudica a qualidade da visão.

Todas as pessoas podem ter catarata?

A catarata é uma doença que ocorre em todas as pessoas com o decorrer da idade. A idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento da catarata. Com o passar dos anos, o cristalino (lente natural do olho) se torna opaco progressivamente. Existem outros fatores de risco que podem levar ao desenvolvimento da catarata mais precoce: diabetes, tabagismo, uso de medicamentos com corticoides, exposição aos raios UVB e traumas oculares.

Catarata acomete sempre os dois olhos?

A catarata pode acometer apenas um, ou ambos os olhos, dependendo de sua causa. A catarata relacionada à idade, doença sistêmica ou ao uso de corticosteroides sistêmicos, geralmente é bilateral e assimétrica, ou seja, pode estar mais avançada em um dos olhos. Poderá ser unilateral se for secundária a doença ocular, ou ao trauma do olho acometido.

Como saber se estou com catarata?

Uma das principais queixas é a visão borrada. Também causa distorção das cores, diminuição da sensibilidade ao contraste e dificuldade em dirigir à noite. Outras doenças oculares podem causar os mesmos sintomas. Assim, é importante consultar com seu oftalmologista para a avaliação da sua saúde ocular.

A catarata pode levar a cegueira?

Sim. A catarata é a principal causa de cegueira reversível do mundo. Entretanto, catarata tem cura. Com a cirurgia pode-se restabelecer a visão substituindo a lente opacificada (cristalino com catarata) por uma lente artificial.

Qual tratamento para catarata?

O único tratamento é a cirurgia, substituindo a lente opacificada (cristalino com catarata) por uma lente artificial. Não existem colírios, remédios ou exercícios que eliminem a catarata.

Para a cirurgia são necessários realizar exames?

Um exame detalhado e cuidadoso do seu médico poderá detectar e indicar o melhor tratamento para cada tipo de catarata. Além da consulta médica, os exames mais importantes são: mapeamento de retina, topografia de córnea, biometria ultrassônica (cálculo do grau da lente artificial), microscopia especular de córnea, retinografia e tomografia de coerência óptica.

Como é a cirurgia?

A técnica mais moderna e utilizada é a Facoemulsificação, que utiliza ultrassom para fragmenta o cristalino em várias partes (como uma “britadeira”). Após a retirada da catarata, é feito o implante de um cristalino artificial (lente intraocular), que irá desempenhar a mesma função da lente natural.

A cirurgia é feita com anestesia local e leve sedação. A incisão no olho é muito pequena (cerca te 3mm) e, na maioria dos casos, não precisa de ponto, permitindo uma rápida recuperação do paciente para as atividades.

“Já operei de catarata. Posso ter catarata de novo”?

Não. A catarata não aparece novamente em quem já fez a cirurgia. O que pode ocorrer é fibrose na membrana que serve como suporte para a lente intraocular. Dependendo da intensidade dessa fibrose a membrana pode se tornar opaca prejudicando a visão. Para resolver essa opacidade é recomendado um procedimento denominado capsulotomia por Yag laser. Este procedimento é realizado em caráter ambulatorial, é indolor e quando indicado traz melhora significativa da visão.

Qual o momento certo para fazer a cirurgia de catarata?

A indicação da cirurgia de catarata deve ser uma decisão compartilhada. A decisão vai depender da queixa do paciente e do grau ou estágio da catarata. Você precisa se perguntar o seguinte: Consigo enxergar bem atualmente ou não? Tenho dificuldades para realizar minhas atividades diárias, como dirigir, ler, assistir TV? Se a catarata estiver causando dificuldades visuais, este é o momento de realizar a cirurgia.

Toda cirurgia intraocular tem benefícios e riscos de complicações. A cirurgia está indicada quando os benefícios superam os riscos.

Após a cirurgia de catarata vou precisar usar óculos?

Existem vários tipos de lentes intraoculares (lentes artificiais) que podem ser implantadas na cirurgia de catarata. Alguma delas fazem correção da visão para longe e para perto e pode permitir uma boa visão final sem óculos.

Tenho miopia. A cirurgia de catarata resolverá este problema também?

Atualmente a cirurgia da catarata tem o potencial de corrigir o grau de olhos míopes, hipermetropes e astigmatas através das modernas lentes intraoculares. Porém temos que ressaltar que esta correção vai depender de múltiplos fatores como a técnica cirúrgica, cicatrização do paciente e principalmente o cálculo dos implantes intraoculares.

É verdade que a cirurgia de catarata é um procedimento simples e que pode ser realizada em poucos minutos?

A cirurgia da catarata não é um procedimento simples. De fato, o avanço dos equipamentos e das técnicas possibilitaram a redução no tempo de cirurgia da catarata, porém trata-se de um procedimento complexo, cuja curva de aprendizado é longa. O cirurgião deverá ter a habilidade de operar olhando através de um microscópio de alta definição, com instrumentos delicados em ambas as mãos que são usados na manipulação da catarata e com pedais de controle do facoemulsificador e do microscópio, um em cada pé. O aparelho facoemulsificador possui diversos parâmetros que deverão ser ajustados conforme a experiência e técnica utilizada pelo cirurgião e dependendo do grau da catarata a ser operada.

Quais são as possíveis complicações intraoperatórias?

As possíveis complicações intra-operatórias são aquelas que podem ocorrer durante a cirurgia. São 3 complicações principais: rotura da cápsula posterior, desinserção zonular e hemorragia expulsiva.

Rotura da cápsula posterior

A lente natural do olho (cristalino) está localizada dentro de um “saco”, chamado de saco capsular. Durante a cirurgia, realiza-se a abertura da parte anterior desse saco (parte da frente) com o objetivo de retirar a catarata por esse orifício e implantar a lente artificial. Durante o procedimento objetiva-se manter íntegro a parte posterior do saco capsular (“parte de trás do saco capsular”), já que é neste saco capsular que irá ser colocado a lente artificial. Entretanto, a rotura (“rasgo”) da cápsula posterior (parte posterior do saco capsular) pode ocorrer inadvertidamente. A incidência rotura da cápsula varia de 0,4% a 8,1% entre os estudos.

O rompimento da cápsula pode não trazer nenhum problema ou alteração da visão, mas três adversidades podem ocorrer em consequência da rotura:

  • Substituir o tipo de lente que estava programada para ser implantada por outra lente especial para ser implantada para essas situações;
  • Impossibilidade de implantar a lente artificial no dia da cirurgia com necessidade de outra cirurgia para implantar a lente em outro momento;
  • Fragmentos do cristalino podem atravessar a rotura e migrar para o fundo do olho. A depender do tamanho dos fragmentos, o próprio organismo pode absorver esses fragmentos com o auxílio de medicações para controlar a inflamação ou se os fragmentos forem maiores pode ser necessário outra cirurgia para retirá-los.

Desinserção zonular

O saco capsular é fixo e centralizado a partir de zônulas (espécie de fios). Durante a cirurgia pode ocorrer desinserção (“rompimento”) desses “fios”. Isso pode ocorrer devido a manipulação da cirurgia ou simplesmente devido a fragilidade das zônulas por diversos motivos (traumas, idade, catarata madura e a síndrome de pseudoexfoliação). Essa complicação pode ocorrer em 0,5% dos casos.

A depender da extensão da desinserção zonular, pode não haver nenhuma alteração na visão ou no planejamento da cirurgia. Entretanto, se a extensão for maior, pode ser necessário uso de materiais especiais para corrigir a desinserção e estabilizar ou até mesmo substituir a lente artificial por outra especial ou implantar a lente artificial em outro momento.

Hemorragia expulsiva

Essa complicação é caracterizada por sangramento devido o rompimento de vasos internos do olho, podendo levar a sérias complicações, inclusive cegueira. Essa complicação, entretanto, é muito rara com incidência em torno de 0,04% dos casos. Quando ocorre é necessário “dar ponto” na incisão da cirurgia para evitar que o sangramento evolua e em alguns casos é necessário drenar esse sangue em um segundo momento.


ATENÇÃO: As explicações disponibilizadas têm finalidade exclusivamente informativa e objetivam oferecer ao público uma visão prática a respeito do assunto. Conforme o CFM (Conselho Federal de Medicina) recomenda que sempre seja consultado o médico especialista para consideração das peculiaridades de cada caso. Não adie mais sua consulta com o Médico Especialista! A saúde de sua visão depende de você.

Fonte: Conselho Brasileiro de Oftalmologia / Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa / Academia Americana de Oftalmologia

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